
Percebi que estava estressada, cansada, sem vida, quando notei que não tirava meus chinelos do armário a mais de 1 mês. “Preciso de chinelos novos!”, pensei. “Esses não vão agüentar muito mais”. Há anos não comprava chinelos, os meus estavam conseguindo acompanhar o ritmo. Mas estavam tão mal acostumados que arrebentaram logo.
Chinelos: Sapatos simples que protegem a sola dos pés. Podem ser de pano, borracha, plástico, couro,até EVA. Há algum tempo deixaram de ser tão simples assim, “as legítimas” com aplicações de cristais Swarovski custam preço de sapatos fechados, geralmente pago por quem não tem tempo de tirar os sapatos.
Sapatos: Uma invenção maravilhosa que diz muito da personalidade da pessoa, fazem parte significante da moda carregando histórias dos países, transformando um look, diferenciando. Marcam também as diferentes culturas.
Os japoneses tradicionais usavam chinelos, talvez por isso fossem tão calmos. Na Av. paulistas vemos um enorme desfile de scarpins altíssimos, lindos, refinados, nada confortáveis, e pessoas estressadas.
Se você acha que não tem nada a ver, pense na relaxante cena do trabalhador chegando em casa, sentando em uma poltrona e calçando seus chinelos. Ela não é vã. Pelo contrário, representa o merecido descanso no fim do dia. O descanso para os pés, para o corpo, representa o aconchego, o prazer de voltar pra casa.
Sem termos tempo de calçá-los, levamos os chinelos para a moda, transformando-os em chics. Mas continuamos cansados.
Hoje aprecio o prazer de chegar em casa e calçar meus chinelos, ou pantufas, de comprá-los, mesmo que o preço esteja cada vez mais alto. No mundo que diz ser o tempo dinheiro, paga-se caro pelo pouco uso do descanso.
Retirei meus chinelos do armário e apreciei o merecido descanso. Hoje, pra ser sincera, eles nem voltam pra lá. Mas as férias estão acabando, os chinelos voltaram a ser raros, como o tempo, como o descanso, como o dinheiro que faz com que o deixemos no esquecimento.